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Porta-voz de Trump que durou apenas cinco dias na Casa Branca bate 'recorde' de passagem curta em função

há 9 minutos
3 min de leitura

Nomeada há menos de uma semana pelo presidente Donald Trump, a porta-voz da Casa Branca, Katie Zacharia, deixou o cargo nesta sexta-feira após uma estreia marcada por constrangimentos. A executiva de 41 anos teve uma das passagens mais curtas de que se tem notícia pela função, depois de admitir que, embora formada em Direito, nunca passou no exame da ordem dos advogados.

Ex-porta-voz do Departamento de Segurança Interna e defensora ferrenha de Trump, Zacharia realizou uma única entrevista coletiva no púlpito da Casa Branca. Na terça-feira, respondeu a apenas três perguntas durante 14 minutos. Depois, voltou a chamar atenção ao afirmar, em uma conversa com jornalistas nos jardins da residência presidencial, que havia obtido o diploma de advogada antes de viajar para a China.

Trump afirmou nesta sexta-feira que chegou a questionar se a função era adequada para Zacharia. A declaração foi dada a jornalistas antes de embarcar para um comício eleitoral na Geórgia.

— Eu lhe disse: "Katie, isso é para você?" — afirmou o presidente. Segundo ele, a porta-voz também ouviu que não precisava assumir o posto e que deveria reconsiderar a decisão.

Na véspera, em entrevista à televisão, Zacharia havia reconhecido que é formada em Direito, mas nunca foi aprovada no exame necessário para exercer a advocacia. Uma fonte da Casa Branca confirmou posteriormente sua saída.


Passagem ainda mais curta que a de Scaramucci


A saída de Zacharia fez lembrar outro episódio breve na equipe de comunicação de Trump. Em julho de 2017, Anthony Scaramucci foi nomeado diretor de comunicações da Casa Branca, mas deixou o cargo após apenas 11 dias, período que se tornou motivo de piadas em Washington.


Zacharia permaneceu na função por menos da metade desse tempo. Ao comentar o episódio na rede social X, Scaramucci escreveu: "Os recordes existem para serem quebrados", mas acrescentou: "Mas não fico feliz com o sofrimento alheio".

Ele próprio acabou se tornando um dos críticos mais ferrenhos de Trump dentro do Partido Republicano.

A função de porta-voz da Casa Branca é particularmente difícil no governo Trump, que trata a relação com a imprensa como um confronto permanente. O ocupante do cargo precisa reproduzir o tom combativo do presidente e, ao mesmo tempo, responder às perguntas frequentes dos jornalistas credenciados.

Ex-estrela da televisão, Trump acompanha de perto as aparições públicas de integrantes de seu governo e costuma elogiá-los ou criticá-los abertamente. A insegurança demonstrada por Zacharia diante das câmeras contribuiu para o início turbulento.


Saída ocorre às vésperas de eleições decisivas


A saída da porta-voz representa um novo revés para Trump a três semanas das eleições legislativas, que definirão a segunda metade de seu mandato. Os republicanos chegam à disputa em desvantagem nas pesquisas e também arrecadaram menos recursos para a campanha do que seus adversários.

Zacharia não integrou a comitiva presidencial que viajou nesta sexta-feira para um comício na Geórgia. Antes de assumir o posto, ela ocupava um cargo executivo de alto escalão na empresa da família Trump voltada aos novos meios de comunicação.

Ela substituiu Karoline Leavitt, que deixou a função em agosto após dar à luz. Leavitt havia se tornado uma das principais defensoras públicas do segundo governo Trump.

Zacharia obteve o diploma de bacharel em Direito pela Universidade Pepperdine, em 2011. Segundo ela, trabalhou com consultoria jurídica antes de se mudar para a China com o marido, onde atuou na área de Direito Comercial Internacional.

Em entrevista à emissora conservadora Fox News, afirmou ter aceitado com entusiasmo o convite de Trump para assumir a função. Também disse que o presidente compreendia que ela tinha quatro filhos e não estava disposta a passar longas noites trabalhando.


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