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Cronologia da grana de Vorcaro alimenta suspeitas sobre a conspirata de Eduardo Bolsonaro nos EUA

No Supremo Tribunal Federal, já há um pedido para o governo brasileiro solicite cooperação jurídica aos Estados Unidos a fim de rastrear os valores. A revelação de que Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, financiou um filme sobre Jair Bolsonaro já produziu efeitos políticos sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro. Mas a história pode ir além do desgaste eleitoral. Depedendo do destino efetivo do dinheiro repassado por Vorcaro, o caso também pode abrir uma frente criminal.


A cronologia alimenta a suspeita de que a grana tenha ajudado a bancar a articulação de Edurdo Bolsonaro nos Estados Unidos para, às custas de prejudicar o Brasil, tentar obter algum alívio judicial para o pai. No Supremo Tribunal Federal, já há um pedido para que o governo brasileiro solicite cooperação jurídica aos EUA a fim de rastrear os valores.

A solicitação foi feita pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) no inquérito que levou Eduardo ao banco dos réus pela conspiração, enquadrada criinalmente como coação no curso do processo. O julgamento do ex-deputado se aproxima: a acusação final da Procuradoria-Geral da República já foi encaminhada ao relator da ação penal no STF, Alexandre de Moraes.


O acordo de patrocínio a Dark Horse foi fechado em dezembro de 2024 entre o clã Bolsonaro e Vorcaro. Dois meses depois, Eduardo partiu para autoexílio e para a conspirata nos EUA. A primeira remessa de recursos do banqueiro ao filme, feita por meio da empresa Entre Investimentos, ocorreu justamente em fevereiro de 2025. Foram 2 milhões de dólares, segundo o site Intercept Brasil.


O dinheiro chegou a um fundo criado nos EUA, o Hvengate, controlado pelo advogado Paulo Calixto, que trabalha para Eduardo.

Em 18 de março de 2025, o então deputado - depois cassado por faltas - anunciou licença do mandato. Três dias depois, Vorcaro recebeu pelo celular capturas de deta de uma conversa sobre dinheiro para o filme entre Eduardo e um colaborador, Thiago Miranda.


Em 26 de março de 2025, o Supremo tornou Jair Bolsonaro réu por tentativa de golpe. No fim daquele mês, segundoi mensagens divulgadas pelo Intercept, Vorcaro combinou uma reunião pessoal com o capitão para assistirem juntos a um documentário também inspirado nele.


A pergunta que se impõe é simples: a reabilitaçpao político-criminal de Bolsonaro, objetivo central da operação de Eduardo nos EUA, interessava a Vorcaro?


O Branco Master havia sido autorizado a funcionar pelo Banco Central no governo Bolsonaro, em outubro de 2019, depois de uma negativa do BC durante a gestão Michel Temer. A mudança de posição da autoridade monetária em apenas oito meses segue sem explicaçao pública satisfatória.


Gabriel Galípolo, atual presidente do BC, evitou esclarecer as razões da guinada ao participar, na terça-feira 19, de uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Preferiu voltar a defender seu antecessor, Roberto Campos Neto, uma blindagem que tem irritado o presidente Lula.


O Master nasceu cercado de rolos. Para criar o banco, Vorcaro comprou uma instituição financeira à beira do abismo, a Máxia. A aquisição foi feita com 111 milhões de reais de origem fraudulenta, segundo reportagem do UOL publicada nesta quinta-feira 21.


Quando o governo Bolsonaro chegava ao fim e o então presidente disputava a reeleição, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, doou 3 milhões de reais ao capitão na campanha do segundo turno contra Lula.


Além de uma eventual decisão do Supremo, há outros dois caminhos para rastrear o dinheiro enviado por Vorcaro aos Estados Unidos no projeto Dark Horse.


O primeiro é a própria PGR solicitar colaboraão ao Departamento de Justiça dos EUA. Um ex-ministro da Justiça afirma que a anuência americana tende a ser mais viável se o lado brasileiro oferecer a divisão de eventuais recursos recuperados, caso se comprove que o dinheiro serviu a ilícitos.


Segundo caminho é o da cooperação policial. A Polícia Federal poderia acionar a Interpol, a organizapção mundial de cooperação criminal. Seu principal dirigente, o secretário-geral Valdecy Urgiza, é brasileiro. Ele foi designao para o cargo em 2024. Nos dois primeiro anos do governo Lula, Havia sido diretor de cooperação internacional da própria PF.



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