Flávio teve nova reserva de voo em jatinho operado por empresa de Vorcaro, mostra e-mail analisado pela PF

Um e-mail analisado pela Polícia Federal mostra uma nova ligação entre o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o jatinho operado pela empresa Prime You, que tinha como um dos sócios o banqueiro Daniel Vorcaro. O material extraído do celular de Willer Tomaz, alvo de busca e apreensão na operação sobre supostas fraudes do INSS, mostra que o advogado reservou uma viagem entre Brasília e São
Paulo para Flávio na aeronave.
Como mostrou O GLOBO, o presidenciável usou o avião em janeiro de 2025 para retornar à capital federal após uma viagem em família a Fort Lauderdale, na Flórida. Flávio diz que a informação que ele tinha é que o avião era de Willer, que afirma ter cotas que dão direito ao uso do avião.
Novos documentos mostram que, em 13 de de janeiro de 2024, Willer recebeu por e-mail da Prime You informações sobre uma viagem agendada para o dia seguinte. A mensagem traz como assunto “Confirmação de voo”, seguida do número da reserva.
O corpo do texto traz a lista de passageiros, que incluía Willer, familiares do advogado, Flávio, sua mulher, Fernanda Bolsonaro, e as filhas do casal. O voo sairia de Brasília com destino ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
A aeronave prevista era uma Embraer modelo Legacy 650 de prefixo PP-NLR, que também foi usada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em agosto de 2025, como revelou o colunista Lauro Jardim.
— Na época, o avião era do Willer, eu tive zero contato com Vorcaro. Fizemos uma viagem em família, mais nada. O avião era dele. Não sabia da cota da empresa (Prime You). Para mim, o avião era do Willer. Qualquer coisa além disso é distorção da realidade — disse Flávio ao GLOBO nesta quinta-feira, sobre a viagem à Flórida.
O candidato foi procurado para comentar sobre a reserva no trecho entre Brasília e São Paulo, mas não se manifestou.
Em nota, Willer afirmou após a revelação da viagem à Flórida que "não conhece Daniel Vorcaro, jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio, de qualquer natureza". "Vorcaro não pagou, não cedeu, não autorizou e não participou daquele voo — nem direta, nem indiretamente. Quem viajou o fez como convidado de Willer Tomaz: carona entre amigos, sem custo, contrapartida ou benefício de parte a parte", disse o advogado. Ele foi procurado, mas não se manifestou a respeito da nova reserva.
A PF, porém, concluiu que o voo de Flávio entre Brasília e São Paulo não foi realizado nas condições previstas na reserva. Registros migratórios mostram que Willer registrou entrada no Brasil às 22h13 do próprio dia 14 de janeiro, vindo da Cidade do Panamá e a bordo de uma outra aeronave privada.
Flávio, por sua vez, entrou no país às 00h43 do dia seguinte, também procedente da capital panamenha, em um voo comercial. Registros de plataformas que monitoram o tráfego aéreo mostram que a aeronave operada pela empresa de Vorcaro permaneceu em Brasília em 14 de janeiro de 2024 e foi a Miami dois dias depois.







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