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Trump diz estar disposto a sacrificar a Otan para conseguir a Groenlândia e que 'não precisa' do direito internacional

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse querer integrar a Groenlândia aos EUA mesmo que isso coloque em risco a existência da Otan e que "não precisa" do direito internacional. A fala ocorreu em uma entrevista ao jornal norte-americano "The New York Times".


A fala de Trump é mais um capítulo da sua investida para controlar a ilha do Ártico, que pertence à Dinamarca, e escala ainda mais as tensões com a Europa. O presidente norte-americano quer adquirir a Groenlândia "porque é isso que eu sinto ser psicologicamente necessário para o sucesso", disse ao "New York Times".


Trump também afirmou ao jornal norte-americano acreditar que seus poderes como presidente dos EUA "se limitam apenas à sua própria moralidade" e que ele "não precisa" do direito internacional.


Questionado pelos repórteres se ele acreditava haver algum freio para seus poderes em escala global, ele respondeu: "Sim, há uma coisa. Minha própria moralidade. Minha própria mente. É a única coisa que pode me deter". "Não preciso do direito internacional (...) Não estou querendo prejudicar ninguém", completou o presidente dos EUA, segundo o NYT.

Na sequência, ele foi pressionado pelos repórteres sobre essa fala, segundo o jornal. Ele disse, então, que os funcionários de seu governo precisam respeitar o direito internacional, mas fez uma ressalva: "Depende de qual é a sua definição de direito internacional".

Essa fala de Trump descartando o direito internacional, regulamentado por instituições multilaterais como a ONU e que rege o mundo pós-2ª Guerra Mundial, encaixa com a interpretação de uma nova ordem mundial que, segundo especialistas ouvidos pelo g1, está se formando. Nessa nova ordem, bipolar com EUA e China à frente, essas potências econômicas têm demonstrado a intenção de expandir seus territórios por meio de ações concretas.


Trump quer comprar Groenlândia, diz Casa Branca


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considera fazer uma oferta para comprar a Groenlândia, informou a Casa Branca nesta quarta-feira (7). A iniciativa ocorre apesar de a população da ilha afirmar que o território não está à venda.

Trump também se recusa a descartar o uso da força para assumir o controle da ilha, considerada estratégica no Ártico. As declarações causaram reação negativa na Dinamarca e em outros aliados europeus dos Estados Unidos.

Após pedido da Dinamarca, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que vai se reunir na próxima semana com representantes do país.

“Nada sobre a Groenlândia sem a Groenlândia. Vamos participar. Pedimos uma reunião”, afirmou a ministra Vivian Motzfeldt à TV pública local.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump discute “ativamente” com a equipe a possibilidade de compra da Groenlândia, que tem área aproximada à do Alasca, maior estado americano.

Segundo ela, o presidente avalia que a medida serviria para conter a influência da Rússia e da China no Ártico. Leavitt afirmou que a opção preferencial de Trump é a diplomacia, mas não descartou o uso da força.

O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, disse não ter conhecimento de planos de envio de tropas à Groenlândia. Segundo ele, não há discussões sobre ação militar, e o foco estaria em canais diplomáticos.

Johnson afirmou, no entanto, que não foi informado previamente sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro. Desde então, Trump fez ameaças de intervenção em Cuba, Groenlândia, Irã, México e Colômbia.


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