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Erika Hilton processa Ratinho e SBT por transfobia

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) confirmou nesta quinta-feira (12/3) que entrou com processo contra o apresentador Ratinho e o SBT por transfobia. Durante programa ao vivo exibido na emissora, o apresentador criticou a eleição da deputada para a Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados do Brasil, afirmando que a parlamentar, uma mulher trans, "não é mulher". 

Conforme nota publicada pela parlamentar nas redes sociais, a deputada declarou que o "Programa do Ratinho" mantém uma "audiência irrisória" e, ao apresentador, "resta apelar à violência". Erika afirmou que Ratinho cometeu um ataque que atinge não só a ela, mas "demonstrou a misoginia, o ódio primal que essa figura nojenta tem de toda e qualquer mulher que não siga o roteiro que ele considera certo".

Além das críticas às falas feitas durante o programa exibido no SBT, a deputada relembrou a condenação de Ratinho por trabalho análogo à escravidão. "Eu quase me surpreendi ao assistir a um raciocínio tão retrógrado. Mas aí lembrei das notícias reportando que, em 2016, 128 anos depois da abolição da escravatura, Ratinho submetia pessoas à escravidão em suas fazendas no Paraná", escreveu.

A deputada ainda afirmou que fará denúncias envolvendo um dos filhos de Ratinho e o crime de estupro de vulnerável, apesar de não mencionar se o caso faz menção ao governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), ou aos gêmeos Rafael e Gabriel Massa. "O apresentador pode até querer viver nesse passado, dentro de sua cabeça. Se a preocupação com as denúncias que farei contra um escândalo envolvendo o seu filho e o crime de estupro de vulnerável mais tarde não ocupar toda a sua capacidade cerebral, é claro."

Erika Hilton também disse que "Ratinho e SBT pagarão pelos seus atos, na esfera cível e criminal", mas que o pagamento não será direcionado a ela, e sim "a todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis". O pagamento faz referência ao pedido de indenização no valor de R$ 10 milhões para mulheres vítimas de violência, parte do processo divulgada pela Folha de S. Paulo.

A emissora se pronunciou afirmando que "repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa", por meio de nota à imprensa. "As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores."

Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência.

Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim. 

Ratinho interrompeu seu programa pra dizer que mulheres trans não são mulheres, que mulheres que não menstruam não são mulheres, que mulheres que não têm útero não são mulheres e que mulheres que não têm filhos não são mulheres.

Este ataque de Ratinho foi contra todas as mulheres trans e contra todas as mulheres cis que não menstruam mais ou nunca menstruaram.

Foi contra todas as mulheres cis que nunca tiveram útero ou, por condições de saúde, como o câncer, precisaram removê-lo.

Foi contra todas as mulheres que não podem ou não querem ter filhos.

Foi contra as mulheres que perderam seus filhos ainda na gestação.

O discurso de Ratinho foi, sim, para me atacar e atacar as pessoas trans. Mas demonstrou a misoginia, o ódio primal que essa figura nojenta tem de toda e qualquer mulher que não siga o roteiro que ele considera certo.

E, para ele, mulheres são máquinas de reprodução.

Eu quase me surpreendi ao assistir a um raciocínio tão retrógrado. Mas aí lembrei das notícias reportando que, em 2016, 128 anos depois da abolição da escravatura, Ratinho submetia pessoas à escravidão em suas fazendas no Paraná.

E o apresentador pode até querer viver nesse passado, dentro de sua cabeça. Se a preocupação com as denúncias que farei contra um escândalo envolvendo o seu filho e o crime de estupro de vulnerável mais tarde não ocupar toda a sua capacidade cerebral, é claro.

Mas aqui fora, no mundo real, ele e o SBT pagarão pelos seus atos, na esfera cível e criminal. E eles não pagarão a mim, mas a todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis.

Por fim, vale lembrar: eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato.

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