Quaest sinaliza recuperação de Flávio Bolsonaro e estabilidade em ganho político de Lula por medidas do governo, diz Felipe Nunes
- amgwebradioetv

- 5 de ago.
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Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (5) sinaliza uma recuperação de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial e uma perda de impulso na melhora da imagem do governo Lula, segundo análise do diretor do instituto, Felipe Nunes.
“O que explica essa recuperação? Minha leitura é que a direita se reorganiza e o eleitor anti-petista voltou a considerar Flávio. No 2º turno, Flávio sobe de 74% para 81% na direita não bolsonarista e de 91% para 95% entre bolsonaristas”, afirmou Nunes.
No primeiro turno, Lula (PT) oscilou de 40% para 39%, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 28% para 30%. A diferença entre eles caiu de 12 para 9 pontos percentuais.
No segundo turno, Lula tem 44%, e Flávio Bolsonaro, 39%. Na pesquisa anterior, eram 45% e 37%, respectivamente. A vantagem do presidente diminuiu de 8 para 5 pontos.
Lula ainda lidera os cenários de primeiro e de segundo turno, e as variações da pesquisa de agosto estão dentro da margem de erro. Ainda assim, Nunes avalia que o conjunto dos indicadores, como intenção de voto, rejeição, potencial de voto e convicção, aponta uma recuperação do senador.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06591/2026.
Além de avançar nas intenções de voto, Flávio Bolsonaro ampliou de 38% para 41% o percentual dos entrevistados que o conhecem e poderiam votar nele de julho para agosto. A rejeição oscilou de 57% para 54% no mesmo período, e a parcela de seus eleitores que considera o voto definitivo subiu de 62% para 68%.
Para Nunes, a primeira peça da reorganização da direita foi a reconciliação pública com Michelle Bolsonaro. As pazes foram consideradas positivas por 59% e negativas por 25%. A avaliação positiva chega a 88% na direita não bolsonarista e a 90% entre os bolsonaristas.
Também aumentou de 38% para 46% a parcela que considera que o apoio de Michelle eleva as chances de vitória de Flávio Bolsonaro. Entre os bolsonaristas, o percentual passou de 45% para 79%; na direita não bolsonarista, de 53% para 70%.
Outro fator foi a reação à proibição de Flávio Bolsonaro visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para 52%, a decisão foi errada; 41% a consideraram correta. Entre os independentes, 50% viram a medida como errada, percentual que chega a 83% na direita não bolsonarista e a 92% entre os bolsonaristas.
“A reconciliação reduziu a divisão e a restrição judicial reativou a percepção de exagero institucional. Esse movimento explica melhor a recuperação do que a fala sobre urnas: essas declarações diminuem a chance de voto em Flávio para 26% e aumentam para 15%”, escreveu Nunes.
Segundo a pesquisa, 54% dizem que as declarações de Flávio Bolsonaro sobre as urnas em uma reunião com embaixadores não alteram a intenção de voto.
Melhora do governo perde impulso

A aprovação do governo vinha melhorando desde abril, quando 43% aprovavam a gestão e 52% desaprovavam. Em julho, os índices chegaram a 48% e 47%, respectivamente, e permaneceram nesse patamar em agosto.
Segundo Nunes, os programas econômicos continuam ajudando Lula, mas perderam capacidade de produzir novos ganhos políticos.
No Desenrola 2.0, a parcela que considera o programa uma boa ideia caiu de 55% para 47%, enquanto o percentual de beneficiados diretamente passou de 12% para 10%. Entre eles, os que perceberam aumento significativo na renda caíram de 35% para 26%.
“Os programas não deixaram de ajudar. O que parece ter diminuído é seu efeito marginal: o ganho político adicional que produzem ao longo do tempo. Tanto que a aprovação ficou estável em 48% e a desaprovação em 47%”, afirmou Nunes.
A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil seguiu movimento semelhante. A parcela que diz ter sido beneficiada oscilou de 32% para 30%.
Entre os beneficiados, 46% não sentiram diferença na renda, ante 39% em julho. Os que perceberam aumento significativo passaram de 24% para 21%.
Economia tem sinais mistos, mas custo de vida ainda pesa
A percepção sobre a economia apresenta movimentos em direções diferentes. Para 43%, a situação piorou nos últimos 12 meses; 35% dizem que ficou igual, e 19%, que melhorou.
Também aumentou de 66% para 68% a parcela que percebeu alta nos preços dos alimentos. Para 69%, o poder de compra é menor do que há um ano.
Por outro lado, o percentual que considera estar mais difícil conseguir emprego caiu de 55% para 48%, enquanto os que dizem estar mais fácil passaram de 36% para 41%. A expectativa de melhora da economia nos próximos 12 meses avançou de 39% para 46%.
O principal limite continua sendo a chamada affordability — a capacidade de a renda acompanhar o custo de vida. Para 32%, a renda familiar não aumentou, e 23% dizem que ela cresceu menos do que os preços.
Somados, 55% afirmam que a renda não avançou ou perdeu para o custo de vida. Outros 33% dizem que renda e preços subiram na mesma proporção, e 10% afirmam que os ganhos superaram os custos.
“A isenção do IR segue o mesmo caminho: 30% dizem ter sido beneficiados, contra 32% em julho. Entre eles, os que não sentiram diferença na renda sobem de 39% para 46%, enquanto os que sentiram aumento significativo caem de 24% para 21%”, escreveu Nunes.
Fonte:G1




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