Como um acordo entre EUA e Canadá virou uma guerra de tarifas e ofensas em apenas 3 dias
- amgwebradioetv

- 23 de ago.
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O governo de Donald Trump elevou neste domingo (23) o tom contra o Canadá após o fracasso das negociações comerciais entre os dois países e a retomada das tarifas de 50% sobre produtos canadenses.
Washington afirmou que Ottawa seria "insensato" se acreditasse que poderia vencer uma guerra comercial contra os Estados Unidos e previu um impacto "devastador" para a economia do país vizinho.
O Canadá, por sua vez, anunciou tarifas equivalentes, "dólar por dólar", que entrarão em vigor em 8 de setembro.
O cabo de guerra dos norte-americanos
A nova escalada ocorre apenas alguns dias depois de os dois países indicarem que estavam próximos de um acordo.
Na terça-feira (18), Trump havia suspendido por três dias a aplicação das tarifas de 50%, alegando que Estados Unidos e Canadá tinham chegado a um entendimento preliminar. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, confirmou que havia "progressos substanciais" nas conversas.
As negociações, porém, fracassaram na noite de sexta-feira (21). As tarifas americanas entraram em vigor à 0h01 de sábado (22), no horário de Washington, sobre cerca de US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões) em produtos canadenses.
Em resposta, Carney anunciou que o Canadá aplicará tarifas equivalentes a produtos americanos a partir de 8 de setembro.
Cronologia: da trégua ao colapso do acordo comercial
Data | O que aconteceu |
18 de agosto (terça) | Donald Trump suspende por três dias a entrada em vigor das tarifas de 50% sobre produtos canadenses e afirma que os dois países estão próximos de um acordo. |
19 de agosto (quarta) | EUA e Canadá anunciam um entendimento comercial preliminar, apresentado por Trump como o fim da escalada tarifária. Trump diz que o acordo eliminaria as tarifas sobre produtos agrícolas americanos, reduziria pela metade as tarifas sobre aço e alumínio e cortaria de 25% para 15% as alíquotas sobre carros e caminhões canadenses. O ministro canadense Dominic LeBlanc retorna a Ottawa para concluir as negociações, enquanto Mark Carney afirma que houve “progressos substanciais”, embora ainda restassem pontos a negociar. |
20 e 21 de agosto | As negociações continuam ao longo da semana, mas os dois governos não conseguem chegar a um acordo definitivo. |
21 de agosto (sexta, à noite) | Washington anuncia o fracasso das negociações e informa que não há novas reuniões previstas. Segundo os EUA, o Canadá recusou a proposta final. |
22 de agosto (sábado) | À 0h01 (horário de Washington), entram em vigor as tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses. Mark Carney interrompe oficialmente as negociações e anuncia uma retaliação “dólar por dólar”, com tarifas sobre produtos americanos a partir de 8 de setembro. |
23 de agosto (domingo) | Trump endurece o discurso, afirma que o Canadá é “insensato” por acreditar que pode vencer uma guerra comercial e diz que o país sofrerá consequências “devastadoras”. Em seguida, publica na Truth Social que o Canadá quer “os benefícios de ser um Estado, sem ser um” e conclui: “Chega!”. |
Casa Branca chama Carney de 'insensato'
Neste domingo, o secretário dos Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, declarou que "pensar que eles [canadenses] vão entrar em guerra com Donald Trump e realmente vencer a guerra contra os Estados Unidos, acho que é insensato da parte deles", ao programa "Fox News Sunday".
Trump também reagiu diretamente às medidas canadenses. Em publicação na Truth Social, afirmou que o Canadá quer "os benefícios de ser um Estado, sem ser um!!!" e voltou a reclamar das tarifas cobradas por Ottawa sobre produtos agrícolas americanos. "Chega!!!", escreveu.
"Você está em guerra quando é atacado. Nós fomos atacados", afirmou no sábado (22), depois de rejeitar o que classificou como um "mau acordo" oferecido por Washington.
Porque o Canadá não firmou o acordo?
Segundo Carney, os avanços obtidos nas negociações não foram suficientes para atender aos objetivos do Canadá. O premiê também afirmou que os Estados Unidos tentaram incluir no acordo cláusulas que limitariam a capacidade canadense de firmar futuros acordos comerciais com outros parceiros.
As negociações também envolveram uma série de outros pontos de atrito, incluindo tarifas sobre automóveis, aço e alumínio, acesso ao mercado canadense de leite, aves e ovos, compras governamentais, bebidas alcoólicas, serviços digitais, propriedade intelectual, agricultura, trabalho forçado, energia e preços de medicamentos.
De acordo com o governo Trump, um dos principais pontos de divergência envolvia as tarifas previstas na chamada Seção 232 da legislação comercial americana, que permite a aplicação de tarifas por motivos de segurança nacional.
"Washington estava exigindo demais e oferecendo muito pouco", declarou Carney.
O primeiro-ministro também afirmou que algumas exigências americanas representariam uma ameaça à língua francesa e à cultura de Quebec. Entre os temas discutidos estavam subsídios à produção cultural francófona, a presença de meios de comunicação em francês nas plataformas digitais e a obrigatoriedade de rotulagem bilíngue de produtos vendidos no Canadá.
"Quando somos atacados, estamos em guerra. Nós fomos atacados", disse Carney em Ottawa.
A disputa marca uma nova deterioração na relação entre os dois países e coloca em risco o futuro do acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México. O Canadá é particularmente vulnerável à escalada porque cerca de 70% de suas exportações têm como destino o mercado americano.
De acordo com o governo Trump, um dos principais pontos de divergência envolvia as tarifas previstas na chamada Seção 232 da legislação comercial americana, que permite a aplicação de tarifas por motivos de segurança nacional.






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